Voando o mundo a bordo da VIRGIN ATLANTIC
13 mar 09

   Nesta matéria especial, PRO FLIGHT entrevista a Comissária HELGA TEGAN, nossa mais nova instrutora, que depois de voar pelo mundo todo pela VIRGIN ATLANTIC, acaba de reforçar o inigualável time de instrutores da PRO FLIGHT.

   Conheça um pouco dessa rotina maravilhosa que ao mesmo tempo envolve preparo, disciplina e atenção não só em todas as etapas do vôo como também em relação às mais diferentes culturas presenciadas a bordo das aeronaves.

Pro Flight – Antes de você voar na VIRGIN, você foi comissária da TAM e depois da VARIG. Quanto tempo você voou nessas cias e que importância elas tiveram para sua experiência como Comissária Internacional na VIRGIN?!

Helga Tegan – Voei um ano na TAM e sete anos na VARIG; a experiência que obtive nestas duas companhias foi muito válida para o meu ingresso na Virgin Atlantic. Por já ter trabalhado bastante tempo na aviação brasileira, quando ingressei na Virgin eu já tinha uma idéia de como seria o treinamento, já tinha passado por dois treinamentos de Companhias Aéreas e isso me impulsionou a não desistir, a enfrentar obstáculos e barreiras que qualquer estrangeiro enfrenta numa Companhia Internacional.

PF – A VIRGIN é uma Cia Aérea totalmente diferente das demais, a começar pelo layout interno de suas aeronaves, onde o passageiro é recebido com músicas originais e a cabine é iluminada com azul e roxo. Além disso, o que mais chamou sua atenção na Cia?

Helga Tegan – A Virgin é uma companhia inovadora, Richard Branson é o dono da Cia e dono também de uma mente brilhante que cria produtos, marketing, e faz os sonhos dos clientes Virgin virarem realidade. Nos vôos intercontinentais temos a bordo uma Beauty Therapist para atender a upper class suíte (1ª. Classe). Ela faz massagem, cabelo, maquiagem, manicure e os privilegiados saem do avião encantados e lindos!

O ambiente dentro do avião é agradável, a iluminação, a música, o sistema de entretenimento individual com filmes, jogos, músicas também para a classe econômica. O bar em neon roxo e vermelho entre as classes Upper e Premium; detalhes do vôo como, por exemplo, se alguém da sua família está fazendo aniversário a bordo você pode ter um bolo e nós cantamos parabéns, ou até mesmo um casal recém casado ganhar uma garrafa de champanhe no balde de gelo e taças para comemorar a bordo, isso tudo disponível em todas as classes (Upper Class, Premium Economy e Economy). Tudo isso são diferenciais que chamam atenção até de nós Comissários em desejar fazer parte de um time desses.

PF – Como foi o treinamento na Virgin? Local, duração, maior dificuldade....

Helga Tegan – O treinamento ocorreu na academia da Virgin Atlantic em Crawley, próximo ao aeroporto de Gatwick – Londres e teve duração de um mês. As aulas eram de segunda a sexta das 08h00min às 18h00min e sempre iniciávamos o dia com uma prova. Tínhamos provas todos os dias, ou seja, às vezes eu passava a noite em claro estudando para a prova do dia seguinte, a nota mínima era 7.0. O treinamento era eliminatório, portanto uma nota baixa e estava fora da Cia. O teste de Combate ao Fogo foi bem difícil, mas eu estava super empolgada, foi a primeira vez que coloquei um Smoke Hood de verdade e o acionei. Já a Sobrevivência no Mar foi ainda mais difícil, nós tivemos que nadar a piscina toda, e era enorme. O teste começou quando nós já estávamos cansados, o esforço era tão grande que em algum momento eu me perguntei se iria mesmo conseguir, tirei forças da vontade de ingressar na Companhia. Por Deus tudo deu certo, e hoje eu dou risada quando me lembro do sofrimento que foi esse teste.

PF – Como você soube que a VIRGIN poderia te contratar? Que critérios ela adota para a escolha desse time tão especial?

Helga Tegan – Eu na verdade não sabia que seria contratada. Virgin me parecia algo inatingível, muito além das minhas expectativas, mas mesmo assim me candidatei pelo site da Virgin. Me ligaram para uma primeira entrevista onde tive apresentação pessoal e dinâmica em grupo e depois me ligaram para uma segunda entrevista onde tive one-to-one interview, que foi a entrevista sozinha com a Chefe de Comissários e uma psicóloga observando. Imagine minha alegria quando recebi um telegrama me avisando que o treinamento começaria e eu estava dentro.

O necessário para candidatar-se ao cargo de Comissária na Virgin é ter passaporte Europeu e inglês fluente. Já os critérios para fazer parte da Cia, acredito que sejam bom humor, simplicidade, disciplina e mostrar-se realmente interessado em fazer parte da equipe de Comissários da Virgin.

PF - Que aeronaves você voou na VIRGIN e qual você mais gostava de voar?

Helga Tegan – Voei o Jumbo Boeing 747 e os Airbus A340-300 e 600. O que eu mais gostava era o Boeing 747, com certeza. Dois andares, muitas galleys, muito espaço e muito tripulante.

PF – Você já passou por alguma situação difícil ou engraçada a bordo?!

Helga Tegan – Difícil e engraçada eu diria. Num vôo com muitos muçulmanos, na hora da demonstração de saídas de emergência, um deles agachou no corredor e levava a cabeça até o chão e voltava. Eu, olhando aquela cena - o senhor muçulmano de costas para mim - sem hesitar informei a chefe de equipe que tinha um homem atrapalhando a demonstração porque estava rezando para a Meca numa hora imprópria onde ele deveria estar sentado com o cinto afivelado. Nós paramos a demonstração e quando fomos até ele, ele estava passando mal, vomitando e não rezando para a Meca. How embarrassing!

PF – Para que lugares do mundo você voou e qual você gostaria de voltar?!

Helga Tegan – Voei para Barbados, Antigua, Tobago e Grenada e Santa Lucia no Caribe, algumas cidades dos Estados Unidos como Los Angeles, Las Vegas, São Francisco, Nova York, Boston, Washington, Miami e Orlando. África do Sul, Cidade do Cabo e Johanesbourg. Lagos na Nigéria, Narita no Japão, Shanghai na China, Mumbai na Índia, Sydney na Austrália e Havana, Cuba. Um lugar que eu sinto muitas saudades é de Santa Lucia no Caribe, uma praia paradisíaca, um hotel super luxuoso, passeios de lancha e Jet Sky naquela água cristalina... impossível não sentir saudades.

PF – Qual o passageiro mais difícil do mundo?

Helga Tegan – O japonês. Porque esses clientes não demonstram quando estão insatisfeitos, eles não reclamam, não brigam, não discutem com você como fazem os africanos, por exemplo, mas também eles nunca mais voltam e não temos como recuperá-los uma vez que nunca expressam sua insatisfação.

PF – Que conselho você daria para os alunos que estão ingressando na carreira agora ou que querem ingressar?

Helga Tegan – Que tenham foco. Se vocês se concentrarem no seu objetivo, na conquista da sua carreira, ela acontecerá!
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